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Trajetória

Minha trajetória começou na produção gráfica, no chão de fábrica mesmo, lidando com material impresso. De lá fui pra uma agência de publicidade, onde fiquei quase 6 anos: entrei como designer júnior, saí como diretor de arte, passando por arte-finalização no meio do caminho. Isso me deu uma atenção a detalhe que carrego até hoje, porque trabalhar com impresso não perdoa erro. Nesses 6 anos também lidei com clientes de perfis bem diferentes, o que me ensinou cedo a traduzir necessidade de negócio em entrega visual.

  1. Da migração

Entrei numa fintech de cartão de crédito no fim de 2020. O produto atendia principalmente cliente classe C, com um modelo de crédito progressivo: a pessoa começava com um limite pequeno e ia ganhando mais conforme construía relacionamento de pagamento com a empresa.

Formalmente, UX ficava dentro do time de Marketing, não de Tecnologia. Mas na prática, meu trabalho era bem mais cross do que isso sugere: eu conversava direto com Tecnologia pra viabilizar o que desenhava, com Risco pra entender os limites regulatórios de cada decisão, e com BI pra puxar dado real de comportamento antes de fechar qualquer fluxo. Foi esse trânsito entre áreas que me deu repertório amplo antes de assumir um papel solo depois.

Produto físico e edição licenciada

Essa proximidade com times fora do digital também abriu espaço pra eu atuar em experiência que não vivia só em tela. Fui responsável pelo redesign do layout do cartão físico base da empresa, pensando a experiência do produto desde o objeto que a pessoa segura na mão, não só o app.

E teve um projeto que gosto particularmente de contar: desenhei um cartão de edição especial pra ativação dos 30 anos de Friends, numa parceria com a Warner, lidando direto com os assets de personagens licenciados que entravam no design. Foi um dos poucos momentos em que pude misturar craft visual puro com estratégia de produto financeiro.

dois projetos que marcaram

No dia a dia, trabalhei em dois projetos que me marcaram bastante. Um foi um portal de recuperação de crédito, resolvendo um problema real de custo com assessorias terceirizadas de cobrança.

O outro foi o refaturamento do aplicativo, consolidando a arquitetura em React Native pra reduzir a divergência entre Android e iOS, contribuindo com a documentação de componentes críticos do Design System que a empresa já tinha, mas sem legado nem documentação estruturada.

Depois desse período em várias frentes dentro de um time maior, fui pra uma startup como designer único de produto. Foi o oposto em estrutura, mas parecido em espírito: de novo eu precisava traduzir algo desconhecido pra quem nunca tinha lidado com aquilo.

  1. Techfin de tokenização de ativos

Entrei numa fintech de tokenização de ativos, ainda em estágio de MVP, sem ninguém antes de mim estruturando processo de design. O produto era antecipação de recebíveis via blockchain, ou seja, um produto de crédito e capital de giro, não de investimento.

A estrutura de time era completamente apartada por função: eu sozinho no design, uma pessoa sozinha em produto, uma pessoa sozinha em tecnologia. Era um trabalho de squad no formato tradicional, cada área com sua responsabilidade clara, só que numa escala mínima, o que trazia muita troca direta no dia a dia sem camada de processo entre a gente.

Navegando complexidade regulatória

O que mais me orgulho desse período é a complexidade regulatória que aprendi a navegar. Trabalhávamos direto com exigências do Banco Central, integrações com a Receita Federal e checagem de empresas junto a bureaus de dados parceiros, tudo isso pra validar os arranjos que sustentavam o produto de antecipação. Não era só desenhar tela bonita, era garantir que um produto financeiro baseado em blockchain, algo que a maioria das pessoas nunca tinha visto, parecesse e fosse confiável dentro de um arcabouço regulatório real.

das entregas

Redesenhei o onboarding como uma jornada progressiva, deixando a pessoa nascer como Pessoa Física antes de exigir a burocracia mais pesada de Pessoa Jurídica. Percebi ao longo do processo que num produto financeiro regulado, clareza reduz abandono mais do que simplicidade: um fluxo fácil demais soa suspeito quando o que está em jogo é o dinheiro da pessoa.

Tratei o Design System como produto interno, não como pasta de componentes: +50 componentes documentados em Atomic Design, nomenclatura semântica de tokens, e documentação em dois níveis — Figma pra quem constrói e Confluence pra quem só precisa consultar comportamento.

a tese

"Desenhar pra quem fica de fora da complexidade financeira."

Uma coisa que atravessa minha trajetória é desenhar pra quem normalmente fica de fora da complexidade financeira. Na fintech de cartão, isso era inclusão de crédito pra classe C. Na fintech de tokenização, era tradução de tecnologia nova pra pequeno comerciante.

Nos dois casos, o trabalho não era simplificar por simplificar, era construir confiança em cima de algo desconhecido, seja numa tela ou num pedaço de plástico.

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