Voltar
Autobits: o recorte de escopo que tornava viável
um marketplace de peças por veículo
Discovery e protótipo de mais de 90 telas de um marketplace que mostra só as peças compatíveis com o carro do usuário, até o projeto ser encerrado por fatores externos.
Configuração do projeto
Papel: Product Designer, do discovery às telas
Ferramentas: Figma e FigJam
Categoria: Discovery, UX/UI, Marketplace
O Autobits foi encomendado por um empreendedor com grande audiência num canal de YouTube sobre carros. O usuário cadastra seus veículos e recebe uma vitrine filtrada para cada modelo.
Se você ler só uma parte
O desenho original dependia de lojistas preencherem a ficha de compatibilidade de cada peça, e os lojistas de carros antigos, o público mais entusiasta, são os que têm menos tempo e conhecimento para isso.
A análise de risco apontou duas consequências: um catálogo incompleto, que quebra a filtragem, ou um catálogo errado, que indica peça incompatível.
A proposta foi transferir a curadoria para a equipe do produto e restringir o escopo a carros de placa preta, de 1970 a 1996.
O discovery terminou num protótipo navegável com mais de 90 telas, e o projeto foi encerrado por fatores externos antes do lançamento.
O problema
A compatibilidade dependia de lojistas preencherem a ficha de cada peça, com marca, modelo e ano.
Lojistas de carros antigos têm pouco tempo e conhecimento técnico para esse preenchimento.
Um catálogo incompleto quebra a filtragem.
Um catálogo errado indica uma peça incompatível e abala a confiança logo na primeira compra.
Esse risco, identificado antes das telas, definiu o rumo do discovery.
O que precisava acontecer
01. Como garantir que toda peça mostrada serve no carro?
A promessa central do produto.
02. Quem preenche a compatibilidade, se não for o lojista?
O ponto onde o desenho original quebrava.
03. Que recorte torna essa curadoria viável?
Escopo que a equipe conseguisse sustentar.
O que foi feito
O discovery partiu dos dados do contratante
O fluxo inicial pedia que os lojistas preenchessem a ficha de compatibilidade de cada peça. A análise dos dados fornecidos pelo contratante, junto com a análise de risco, mostrou onde esse desenho não se sustentava.
A curadoria passou do lojista para a equipe do produto
A proposta foi tirar o preenchimento das mãos dos lojistas e transferir a curadoria das compatibilidades para a equipe do produto. Isso eliminava a dependência do ponto mais frágil, mas exigia um escopo que a equipe conseguisse manter.
O escopo foi restrito a carros de placa preta, de 1970 a 1996
Para a curadoria caber, o catálogo ficou limitado a carros com 30 anos ou mais, de aproximadamente 1970 a 1996. O preço era um público menor e mais trabalho de curadoria. Duas fontes primárias foram mapeadas para alimentar o catálogo:
MIAU, o Museu da Imprensa Automotiva: contatos para obter informação técnica.
Blogs especializados: manuais técnicos de carros antigos.
O protótipo testou a personalização por veículo
A arquitetura de informação e os fluxos cobrem login e criação de conta, cadastro e alternância entre veículos, loja e catálogo por carro e perfil com pagamento e histórico de pedidos. Há também uma loja geral para quem ainda não cadastrou um veículo. O protótipo navegável serviu para testar a lógica de personalização numa experiência real.
90+ telas navegáveis
Do onboarding ao carrinho.
Por que o projeto parou
Dois fatores externos encerraram o projeto. O Mercado Livre lançou, dentro do próprio app, uma funcionalidade de compatibilidade de peças que absorveu a proposta central. Questões internas do contratante, de natureza financeira e jurídica, inviabilizaram a continuidade.
o que ficou
O projeto não chegou ao lançamento e não gerou métrica. Deixou um risco operacional identificado cedo, um escopo definido para mitigá-lo e um fluxo completo desenhado para testar a ideia.
Os fluxos mais usados já tinham sido revisados quando o projeto parou.
Em retrospecto
A decisão de escopo não foi validada com usuários. Não houve entrevistas nem persona formal, apenas observação e conhecimento de domínio. O próximo passo seria validar o recorte com o público real.







